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DANÇA

Paula D’Ajello: IT

Paula D’Ajello: IT

5, 6, 12 e 13.05.22, quintas e sextas às 20h

Criar de si próprio um ser é muito grave. Estou me criando. E andar na escuridão completa à procura de nós mesmos é o que fazemos. Doí. Mas é dor de parto: nasce uma coisa que é. É-se. É duro como pedra seca. Mas o âmago é it mole e vivo, perecível, periclitante. Vida de matéria elementar. (Água Viva, Clarice Lispector)

Em diálogo com Água Viva, de Clarice Lispector, Paula compõe sua escrita como uma carta que evoca a expressão de ancestrais silenciadas. O solo dá luz a uma mulher em criação de si mesma. Nesta trajetória, corpo e memória atravessam uma jornada de dor e cura, revelando os sentidos que emergem de sua natureza feminina.

“iT é uma biografia inventada, um duplo mulher em mim. Em seu corpo habita uma forma de força, uma intensidade, um it. Esta coisa que a preenche: estranha, selvagem, singela, violenta, não cabe em si. Quando isto transborda, ela dança.” (Paula)


PAULA D’AJELLO

Bailarina, Professora e Pesquisadora. Estudou técnica e composição em dança moderna/contemporânea com a Prof.ª Dr.ª Holly Cavrell, e treinamento expressivo com os atores pesquisadores do Lume Teatro. Mestra em Artes da Cena - Teatro, Dança e Performance pela Unicamp, sua formação inclui o Fall Intensive Program, com a José Limón Dance Company, e o Summer Workshop, com a Isadora Duncan Dance Company, em Nova Iorque, EUA. Sua atuação como Artista Educadora busca o desenvolvimento da Expressão Corporal por meio de práticas de aperfeiçoamento da Propriocepção integradas à exploração dos princípios de movimento da Dança Moderna. Em seu trabalho com crianças, associa os fundamentos da Educação Somática e do sistema Laban/Bartenieff aos jogos e brincadeiras da Cultura da Infância. Atualmente, é Educadora Corporal na Escola Vera Cruz e Assistente de Direção na Bárbara Cia.


iT

A criação do solo é acompanhada por um processo de crise pessoal, com início em 2018, quando Paula recebe o diagnóstico de endometriose. A artista vivencia uma longa jornada de autoconhecimento e cura, culminando em uma cirurgia, realizada em 2020. Durante este período, participa do Ateliê de Solos, orientado por Beth Bastos, dentro do projeto O que vemos quando olhamos dança - realizado com o apoio do Programa Municipal de Fomento à Dança da Secretaria de Cultura de São Paulo. Neste contexto, sua pesquisa autoral é fecundada junto ao Núcleo Pausa e outros 31 intérpretes criadores. O Ateliê de Solos é concluído em 2019 com o lançamento do filme O que te Move, de Antonio Miano e Kiko Ferrite, e uma mostra dos 32 solos, realizada na Oficina Cultural Oswald Andrade, onde iT teve seu parto.

FICHA TÉCNICA

Direção, criação e interpretação: PAULA D’AJELLO

Orientação: BETH BASTOS

Trilha sonora: Encanto de abertura

criação e interpretação de BRUNA LUCCHESI

Andaluza (Enrique Granados) e Astúrias (Isaac Albéniz)

arranjo e interpretação de CAMILLA SILVA

gravação e mixagem por IVAN GOMES no ESTÚDIO LEBUÁ

Fotografia: SANDRO MIANO

Desenho de luz: JOÃO RIOS

Identidade visual: PEDRO CAMPANHA

Vídeo projeção: DANIEL CAREZZATO

Produção: GUSTAVO VALEZZI

Apoio: ESPAÇO QUINTAL | TREME GALPÃO | SIMPATIA 257


AGRADECIMENTOS

Ao Núcleo Pausa, e a todes intérpretes do Ateliê de Solos, por testemunharem comigo o nascimento deste trabalho. Às parceiras da Bárbara Cia., por fazermos juntas o que não é possível fazer sozinha. À Katherina Tsirakis, por me provocar a assumir minha autoria. À Mariana Jorge, pelo acolhimento em sua casacorpoespaçoquintal. À Nina Neder, pelos pés na terra e as mãos no coração. À Gabriela Silveira e à Flora Bazzo, pelo amoramizadeirmandade desde o berço até o mar. À Juliana Vicente, por caminhar comigo na esquizoanálise. 

Ao meu pai, pelas pedras que sustentam minhas criações. 

E à minha mãe, por jamais soltar a minha mão.

Maio/2022